Posts

IPB e atividades voluntárias às comunidades

Durante todo o ano os residentes e médicos do IPB estiveram envolvidos nas mais diversas atividades voluntárias relacionadas à visão.

A primeira delas foi o Barco da Saúde, caravana organizada pela Faculdade São Leopoldo Mandic, Fundação Dr. João Penido Burnier e ONG OneSight, em comunidades ribeirinhas da Amazônia. Foram mais de dois mil duzentos e vinte e sete atendimentos realizados nas áreas de oftalmologia, clínica geral, dermatologia, pediatria e ginecologia e obstetrícia durante o período de atividade.

Nossos residentes foram acompanhados por dois médicos orientadores/professores, Dr. Lucas Quagliato e Dra. Natália Rodrigues. Foram vários dias isolados de comunicação no interior do Brasil, realizando avaliações oftalmológicas aos mais necessitados.

Ainda, nossos residentes também participaram de atividades no Hospital de Amor, em Campinas, mais uma vez trabalhando em parceria com a ONG OneSight, no atendimento à população e no fornecimento gratuito de óculos.

Já no mês de outubro, quase todo o corpo clínico do IPB esteve envolvido nas atividades do “Outubro Brilhante”, projeto da Prefeitura Municipal de Campinas com todos os grandes serviços de oftalmologia e ensino da cidade, ópticas de referência e Associação dos Oftalmologistas de Campinas e região. O Projeto consistiu em zerar a fila de espera por consultas oftalmológicas de crianças em idade escolar, fornecendo consultas gratuitas e distribuição de óculos também gratuitamente a todos que necessitaram de tal correção.

As atividades voluntárias e comunitárias sempre estiveram presentes na jornada do IPB, e permanecem vivas através do atual corpo clínico do hospital.

Moscas Volantes

As imagens tipo moscas volantes, cobrinhas e sombras que muitos pacientes enxergam se devem ao evento de descolamento do vítreo posterior.

O vítreo é uma espécie de gelatina transparente que preenche a parte posterior do olho, estando envolto e firmemente aderido à retina. Devido ao envelhecimento e algumas outras causas, essa gelatina pode se desprender da parede interna do olho e da retina sem causar, obrigatoriamente, danos à visão. Esse fenômeno é chamado de descolamento posterior do vítreo (“descolamento da gelatina do olho”).

O descolamento dessa gelatina e seus sinais são muito comuns e nem sempre estão relacionados ao descolamento de retina. No entanto, em alguns casos e na presença de fatores de risco, esse processo pode rasgar a retina em um ou mais pontos de maior aderência. Os sinais de alerta são: percepção de pontos negros na visão que se movimentam com a posição do olhar, embaçamento visual e por vezes flashes luminosos.

Esses pontos escuros são denominados moscas volantes e podem ter outras formas, como fio de cabelo e teia de aranha. Esses sintomas são comuns na população em geral e, principalmente, em pessoas com miopia e operadas de catarata.

Essas alterações geralmente são benignas e ocorrem com frequência e podem resultar da separação do vítreo da retina sem demais complicações. Porém, em alguns casos, ocorre a formação de um rasgo na retina, como anteriormente mencionado, se esta ainda estiver colada, o tratamento com aplicação de laser na área do rasgo deverá ser feita mais precocemente possível para se evitar maiores danos.

Caso qualquer uma destas alterações surja em seus olhos, procure imediatamente um oftalmologista.

Descolamento de Retina

A retina é uma fina camada contendo células nervosas que recobre internamente a cavidade posterior do olho. É responsável pela percepção e formação da imagem, fornecendo dados que são enviados para o cérebro, onde serão traduzidos. Assim, a retina é uma parte importante do olho para a visão.

O descolamento de retina geralmente ocorre após os 45 anos e afeta apenas um olho. Dentre os fatores de risco relacionados estão: história de deslocamento de retina na família, glaucoma e cirurgias oculares prévias. Pessoas com altos graus de miopia apresentam alterações retinianas que predispõe ao maior risco de descolamento de retina precoce. Acidentes que resultem em ferimento, impacto ou batida forte no olho, na face ou na cabeça podem provocar o deslocamento de retina, assim como o diabetes e inflamações oculares graves.

Os sinais de alerta são: visão embaçada, áreas enegrecidas ou flashes de luz/relâmpagos. Luzes ou flashes podem ser os sintomas iniciais do descolamento da retina e ocorrem devido à estimulação da retina que é interpretada pelo cérebro como sinais de luz. Esse sintoma é muito importante e a sua ocorrência exige um exame com o OFTALMOLOGISTA o mais breve possível.

 

Quando o descolamento de retina não é corrigido, quase todos os casos progridem até uma perda total da visão, cegueira irreversível e atrofia ocular. A correção de um descolamento de retina com a cirurgia é bem sucedido em aproximadamente 80% dos casos, embora mais de um procedimento possa ser necessário. Uma vez que a retina é novamente colada, a visão geralmente melhora e estabiliza. No entanto, essa recuperação pode demorar diversos meses antes que a visão retorne a seu nível definitivo.

Atualmente, existem diversas técnicas para cirurgia do descolamento de retina. Ressalta-se que em cerca de 5% dos casos de descolamento de retina num olho, que não seja causado por trauma, a doença afeta o outro olho. Assim, o segundo olho de um paciente com um descolamento de retina deve ser examinado minuciosamente e seguido com atenção.

O descolamento de retina é uma doença extremamente grave, com risco de perda total da visão e que sua a suspeita exige uma avaliação com um OFTALMOLOGISTA o mais rápido possível.

Ceratocone

O ceratocone é uma doença da córnea (parte transparente anterior do olho) de causa ainda discutida, que acomete adolescentes e adultos jovens. Tem associação frequente com alergia e a coceira ocular pode ser o gatilho que inicia a doença.

É caracterizado pelo aumento progressivo e irreversível da curvatura da córnea, bem como pela diminuição de sua espessura. Em outras palavras, a córnea torna-se “pontuda” e “fina”.

Quais os sintomas?

No início da doença são: desconforto visual, dor de cabeça, sensibilidade à luz, baixa da visão (principalmente noturna) e troca frequente das lentes dos óculos, em virtude do aumento da miopia e principalmente do astigmatismo.

No início o uso de óculos ou lentes de contato é capaz de oferecer uma boa visão ao paciente.

Com a contínua progressão do ceratocone, o astigmatismo aumenta bastante (gerando uma imagem borrada e distorcida), e os óculos passam a não mais oferecer uma visão satisfatória.  Neste estágio somente as lentes de contato (do tipo rígidas) são capazes de melhorar a visão, caso o ceratocone progrida, alternativas cirúrgicas devem ser consideradas (crosslinking, anel intraestromal e transplante de córnea).

 Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é realizado através de exame oftalmológico e pode ser confirmado através da Topografia ou Tomografia Corneana Computadorizada. Esses exames fazem uma análise das superfícies da córnea e expressam as informações através de um gráfico numérico e de cores. Com isto, além de auxiliar muito no diagnóstico, podemos acompanhar a evolução, forma, posição e tamanho do ceratocone.

Por fim, ressaltamos a importância de um acompanhamento com seu médico, para um diagnóstico precoce e escolha do melhor método terapêutico. O ceratocone é uma patologia frequente e na maioria dos casos é possível se obter uma boa visão com o uso de lentes de contato, que devem ser adaptadas exclusivamente pelo seu oftalmologista.

Glaucoma

Glaucoma é o nome dado a um grupo de doenças que afetam o nervo óptico num padrão característico. A pressão intraocular elevada é um fator de risco significativo para o desenvolvimento de glaucoma.

Existem vários tipos de glaucoma. O mais comum é o glaucoma primário de ângulo aberto, frequentemente sem sintomas. Normalmente associado a uma pressão intraocular maior do que 21 mmHg, dificultando a circulação de sangue pelo nervo óptico.

Outro tipo, o glaucoma de ângulo estreito, é caracterizado por aumentos súbitos de pressão intraocular. Isto ocorre em olhos geralmente pequenos, pela obstrução da saída do líquido do olho pela parte colorida (a íris). Glaucoma de ângulo estreito na maioria das vezes causa dor e deixa a visão borrada, levando a perda visual irreversível dentro de um curto período de tempo. É considerada uma situação de emergência oftalmológica e requer tratamento imediato. Muitas pessoas o confundem com dor de cabeça, chegam a fazer tomografias e estão apresentando crises de glaucoma de ângulo estreito. Glaucoma congênito é uma doença genética rara que atinge bebês. Apresentam olhos aumentados e córneas embaçadas.

Glaucoma secundário ocorre como uma complicação de várias condições como: cirurgia ocular, catarata avançada, lesões oculares, uveítes, diabetes ou uso de corticóides.

Por não ter sintomas distintos, uma complicação quase que inevitável do glaucoma é a perda visual, afetando inicialmente a visão periférica. No começo a perda é sutil, e pode não ser percebida pelo paciente. Perdas moderadas a severas podem ser notadas pelo paciente através de exames atentos da sua visão periférica. Isso pode ser feito fechando um olho e examinando todos os quatro cantos do campo visual notando claridade e acuidade, e então repetindo o processo com o outro olho fechado.

Se a doença não for tratada, o campo visual se estreita cada vez mais, obscurecendo a visão central e finalmente progredindo para a cegueira do olho afetado.

Esperar pelos sintomas de perda visual não é o ideal. A perda visual causada pelo glaucoma é irreversível, mas pode ser prevenida ou atrasada por um tratamento.

 

Veja o padrão de perda visual devido ao glaucoma:

 

Catarata

A catarata consiste na opacidade parcial ou total do cristalino (lente natural do olho, localizada atrás da íris) que impede a imagem chegar nitidamente à retina. Não deve ser confundida com o pterígio que é o crescimento de uma membrana sobre a córnea.

A catarata está na maioria das vezes associada à idade (pacientes acima dos 60 anos), mas também pode ser causada por traumatismos, radiação, doenças sistêmicas como o diabetes, inflamações oculares, medicamentos (principalmente corticoides), congênita, entre outras. O ofuscamento ao olhar às luzes à noite, imagem borrada e perda da percepção de cores são os principais sintomas. A melhora da visão de perto pode ocorrer nas fases iniciais devido a um aumento do cristalino. Catarata, atualmente, é a principal causa de cegueira curável no mundo e sua cirurgia, a mais realizada dentre todas.

A técnica cirúrgica mais moderna para o tratamento da catarata consiste da remoção do cristalino opaco por fragmentação e aspiração com ultrassom (facoemulsificação), com posterior implante de uma lente intra-ocular.

Tudo isso por uma micro-incisão, na maioria das vezes sem necessidade de pontos. As lentes artificiais que substituem o cristalino variam de materiais, tamanho, forma e características ópticas. Essa escolha depende da técnica, características oculares e desejo do paciente.

A cirurgia pode ser realizada com anestesia tópica (colírios) ou com bloqueio ocular sob sedação. A anestesia geral é utilizada somente em casos especiais.

Consulte seu oftalmologista regularmente, somente ele poderá diagnosticar e tratar as doenças oculares, e no caso de catarata, indicar o melhor momento para realização da cirurgia.

 

Idosos mais cheios de vida

Muitas vezes nossos pais e avós, quando abandonam atividades usuais e corriqueiras, o fazem devido à perda gradativa da visão. Tal situação interfere na qualidade de vida, pois traz insegurança. Pessoas com mais de 55 anos de idade que passam a apresentar alteração no grau dos óculos e alteração visual podem estar iniciando o desenvolvimento de catarata. Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, a cirurgia da catarata atualmente é praticada pela técnica da facoemulsificação do cristalino (técnica que utiliza ultrassom), e não há mais a necessidade do ¨tal amadurecimento da catarata¨ por completo. A catarata, por esta técnica, será dissolvida e fragmentada em pequenas partículas que serão aspiradas pelo equipamento adequado. Trata-se de uma cirurgia feita por uma microincisão e implanta-se, então, uma lente intraocular que substituirá o antigo cristalino. As lentes mais modernas são dobráveis e flexíveis, fazendo com que na maioria das cirurgias sequer seja necessário o emprego de pontos. A anestesia é local e sem riscos. No momento do diagnóstico da catarata a cirurgia já pode ser indicada se o cirurgião possuir a experiência necessária para realizá-la.

Devemos lembrar que a correção da catarata também vem acompanhada da correção total ou parcial do grau prévio do paciente. O avanço tecnológico das novas lentes intraoculares também permite o cálculo preciso do grau residual, muitas vezes, fazendo com que haja abandono do óculos em definitivo.

 

Blefarite

Blefarite é uma inflamação crônica e não contagiosa das pálpebras. É normalmente caracterizada pela produção excessiva de uma camada lípidica (óleo),  gerada por uma glândula encontrada na pálpebra, criando uma condição favorável para o crescimento bacteriano. As pálpebras ficam cobertas por detritos oleosos (caspas) e bactérias em torno da base dos cílios, podendo levar à perda destes.

Sintomas: coceira, irritação ocular, sensação de corpo estranho, lacrimejamento. Muitas vezes estes sintomas podem ser confundidos com conjuntivite, e durarem longos períodos sem melhora.

O tratamento consiste em pomadas de antibióticos e anti-inflamatórios nas crises, compressas mornas, higiene dos cílios com xampu neutro diariamente e mudança dos hábitos alimentares com diminuição da ingestão de gorduras.

Um oftalmologista pode fazer o diagnóstico preciso desta condição e indicar o melhor tratamento!

 

Retinopatia Diabética

A retinopatia diabética é a causa mais frequente de cegueira nos países industrializados entre as populações ativas e ocorre como resultado do dano, acumulado a longo prazo, aos pequenos vasos sanguíneos da retina. Acomete quase todos os pacientes com DM tipo 1 e mais de 60% dos pacientes com DM tipo 2.

Cerca de 1 a 3% da população mundial apresenta esse tipo de acometimento ocular; sendo que, após 15 anos de diabetes, aproximadamente 2% das pessoas se tornarão cegas e cerca de 10% desenvolverão sérios danos visuais. A retinopatia diabética é responsável por 30% das pessoas cegas.

O tempo de evolução do diabetes e o controle glicêmico são os principais fatores de risco para o desenvolvimento e agravamento da retinopatia. No entanto, outros fatores como a hipertensão arterial sistêmica mal controlada, tabagismo, acometimento renal e gravidez devem ser lembrados. As altas taxas de açúcar circulantes levam a diversas alterações nas paredes dos vasos sanguíneos, principalmente naqueles presentes nos rins e olhos. Assim, com a evolução do diabetes, essas alterações vasculares tendem a progredir, levando a sérias complicações em diversos órgãos e sistemas do corpo.

A retinopatia diabética apresenta vários estágios na sua evolução. Sendo inicialmente leve, mas que, se não tratada adequadamente, pode progredir para cegueira irreversível. Em fases mais tardias e severas da doença, pode ocorrer hemorragia intra-ocular, descolamento de retina, catarata e glaucoma.

O tratamento com laser, amplamente utilizado nessa condição, tem como objetivo evitar a piora da acuidade visual e a progressão da retinopatia para estágios mais graves. Em geral, podem ser necessárias várias sessões de laser até que se tenha um bom controle da doença ocular.

A cirurgia da retina, chamada de vitrectomia, geralmente é utilizada para se tratar as complicações mais severas e tardias da retinopatia, como a hemorragia intraocular e o descolamento de retina.

Recentemente, uma nova classe de drogas tem sido amplamente utilizada para o manejo de pacientes com retinopatia diabética avançada e baixa visual importante, são os chamados “anti-angiogênicos”. Estas medicações são injetadas diretamente no olho e têm o intuito de evitar a progressão da retinopatia, além de promover a melhora da visão e de algumas complicações relacionadas.

Todas essas opções de tratamento são utilizadas conforme o grau de severidade do acometimento ocular pela retinopatia e a visão do paciente. Durante o tratamento dos olhos é essencial o intenso controle da glicemia para promover uma melhor resposta ao tratamento. Lembrando que a causa da retinopatia e das alterações oculares é o próprio diabetes e esses sinais podem ser um alerta para o risco de a doença afetar outros órgãos. O diabetes é uma das principais causas insuficiência renal e cerca 10-20% das pessoas com diabetes morrem com falência renal.

É de suma importância o exame preventivo da retina com o OFTALMOLOGISTA em todas as pessoas portadoras de diabetes!